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  • HM Macahé

Episódio 1 - Bate papo com idealizadores do Projeto.

Atualizado: 26 de abr. de 2021



Ouça o episódio:




Abertura oficial:


(Hino de fundo) - Olá a todos!! Olá sociedade macaense!! Olá você que vive nesta terra tão querida, onde também viveram os Goitacás e Tupinambás, Saruçus e Guarus. Terra cercada de mares, rios, lagoas, serras, picos, montanhas e ilhas. Restingas, mata atlântica, brejos, mangues e uma rica fauna… Olá, você, que além do privilégio de conviver com este ecossistema tão rico, terá o privilégio de saber quão rica é nossa cultura, em especial a nossa música. Seu passado, suas histórias, os lugares, grupos musicais e as personalidades que marcaram época e que continuam deixando marcas, tanto a nível nacional quanto internacional. Preservar a história, a memória e todo patrimônio material e imaterial são importantes para que se construa a consciência de pertencimento e orgulho de estar fazendo parte desse processo. E é através dessa consciência que sempre estaremos preparados para lutar por uma Macaé cada vez melhor. Pois um povo sem memória e que não conhece a sua história, está sujeito a cometer novos e antigos erros.


Meu nome é Magno, sou macaense e músico há 25 anos, e é com grande entusiasmo que eu e meus amigos Francarlos Amaral e Ulysses Cabral criamos o projeto "Histórias da Música em Macaé". Francarlos e Ulysses são músicos de longa data e muito atuantes na cidade. À todos os músicos de Macaé, nascidos ou radicados aqui... aos que já nos deixaram e aos que cumprem seu dever artístico… à todos vocês, nossa homenagem e infinitos aplausos. (Finaliza o hino)



Sejam todos bem vindos ao episódio de estréia do "histórias da música em Macaé". Teremos relatos, entrevistas e muitas curiosidades sobre histórias que não podem ser esquecidas. E é por isso que estamos aqui, para somar forças num trabalho colaborativo que valorize a memória musical e cultural de todo o município. Você, que tem algo a dizer ou  indicar, e que possa agregar valor ao nosso trabalho, chega mais com a gente.


E nesta edição especial de estréia eu, Francarlos e ulysses, vamos bater um papo para esclarecer mais sobre o projeto e também contar um pouco de nossa trajetória musical.


Formato do trabalho:


O conteúdo abordado será apresentado em podcast e transcrito num blog. A proposta é que seja dada uma atenção ao público portador de necessidades especiais, como os deficientes auditivos e visuais. O formato de cada episódio vai se adaptar a cada situação particular. Por exemplo: quando o assunto se tratar de algum lugar, será feita uma explanação sobre sua história e será reproduzido o depoimento de alguém que tenha entendimento do assunto; quando se tratar de uma entrevista, será um bate-papo mais descontraído. Tudo isso será transcrito em texto para ser colocado no blog.



É por isso que agora vou chamar o Francarlos, também conhecido como Chiquinho… tá aí Chiquinho?


Francarlos: boa noite, tô na área!


Magno: boa noite, meu amigo. Tô muito feliz de estar estreando esse primeiro episódio. A ideia é a gente contar esse início, como que a gente "bolou" essa idéia de construir o podcast… me conta um pouco da sua história, como você conseguiu construir laços com outros músicos da cidade e também falar um pouco de sua vida musical. Conta um pouquinho pra gente.


Francarlos: eu sou oriundo de Cachoeiras de Macacu, e passei minha juventude entre estudo e senai… e aos 17 anos, terminado o Senai fui para Niterói… conheci algumas pessoas da área musical. Eu já mexia com música desde 64, 65, na minha cidade… festinhas de aniversário, cantar em clube pequeno. Em Niterói eu pude me envolver mais com a classe musical. É uma cidade celeiro de músicos, muito progressista em termos musicais. E lá conheci muitos músicos, conheci a família Malheiros, que têm exímios contrabaixistas. E através deles fui me introduzindo mais na música, na vida noturna, em conjuntos de baile… 


Em 1973 cheguei em Macaé. Não cheguei pra ficar de vez, pq meu pai era ferroviário, veio morar em Macaé por transferência da rede. E aqui conheci grandes músicos: Lucas (Vieira), Zezinho, Neguinho, Mazinho, Neném… e acabei me envolvendo completamente com a música macaense… e descobri que Macaé é um celeiro de grandes músicos, que fizeram sucesso no exterior… maestro Macaé (Dulcilando), Charutinho, Lucas, Ceceu, Vanderlei Pereira. Então eu fui me envolvendo com eles. E passei a cantar em bandas de baile. Trabalhei com Distúrbio Magnético, L-Bossa, o The Rell's foi minha última passagem em banda em Macaé… participei de outros projetos musicais, em casas noturnas, em clubes, bailes de carnaval. Só em Macaé eu fiz uns 20 carnavais… conheci o Willer Bechara, que é primo do Magno, nosso amigo aí do podcast, e conversando com o Magno, a gente teve essa idéia eu, ele e Ulysses de montarmos alguma coisa pra não deixar passar em branco toda essa história, haja vista que a gente não encontra muita coisa registrada.


Magno: … eu já vim de outra geração. E isso que é interessante também de eu estar junto com vocês, de ser uma geração mais recente. Pra mim, estar aprendendo com vocês está sendo fundamental… e sabendo que outras pessoas podem ter esse contato, saber quem nós somos, essa idéia do podcast. Eu fico muito feliz. Comecei a tocar em 95. Não tive tanta influência da família, como muitos têm. Já comecei a descobrir um outro movimento, do rock mais pesado. Foi o movimento underground de Macaé, movimento punk, o hardcore e punk rock, e fui aprendendo com um amigo meu, que morava na Imbetiba também, o Evandro, que até hoje toca numa banda que começou justamente no mesmo ano que comecei a tocar, em 95. A banda existe até hoje, o Protesto Suburbano. Depois de alguns poucos anos que a banda começou eu entrei na banda, fiquei uns 6, 7 anos, e saí. Isso já tem bastante tempo. Mas aprendi muito com eles. E dali fui prosseguindo com outros projetos, tocando, tendo outras experiências musicais. Depois comecei a tocar na noite, e isso foi uma escola muito grande pra mim. E hoje eu aprendi a ser um músico mais versátil, né! ...


Magno: então, agora vou chamar meu amigo Ulysses... Ulysses tá aí?


Ulysses: sim!!


Magno: só falta, agora, você contar um pouco sobre o projeto. Já está tomando uma magnitude que está até surpreendendo a gente. De qualquer forma está no início... Gostaria que você desse suas primeiras impressões, se você está gostando... e também me fala um pouco sobre você, de sua trajetória musical, pro pessoal poder conhecer um pouquinho também...


Ulysses: esse projeto é uma coisa interessante. Começou com um bate papo informal… contando histórias antigas de Macaé, Barracão da Criação, o Palácio dos Mendigos, show do Jorge Mautner… uma coisa foi puxando outra. E você já tem essa veia jornalística interessante, essa curiosidade de historiador e tal… e tá nascendo esse projeto, que tem a proposta de um blog, de um podcast. Muitas pessoas já estão se mobilizando em torno da gente pra cooperar, né? Pessoas que participaram de movimentos, artistas, músicos. Até minha mãe tá envolvida nisso (risos)...


… Eu sou carioca, mas a família da minha mãe é aqui de Macaé. Então eu tenho raízes aqui. Em 79 eu resolvi vim de vez pra cá, foi a melhor coisa que fiz na minha vida… e a minha relação com a música, na minha casa a gente sempre ouvia os discos de 78 rotações, minha mãe tocava piano, então tem um ambiente musical. Só que o que bateu mais, por volta dos 8 anos, eu ouvi pela primeira vez os Beatles (risos). Isso marcou demais, o que era aquilo, aquela sonoridade. Eu tô falando de 1965, eu tô com 63 anos agora… então foi muito marcante pra mim, pra geração daquela época… 4 anos depois teve o Woodstock, mexeu demais com minha cabeça. E eu era novo ainda, não tinha acesso. Naquela época o acesso a informação era via tv preto e branco, a gente estava no meio de um golpe militar, era tudo difícil demais… e apesar de toda a repressão daquela época, reprimiram demais a cultura brasileira, os grandes nomes, muitos foram presos, torturados, mandados fora do Brasil. Mas liberaram a entrada do material lá de fora. Só que o material lá de fora que entrava aqui era Led Zeppelin, Jethro Tull, Pink Floyd, Yes. Eram materiais de qualidade.


E no meio disso acontecia algum movimento aqui também. O resultado disso tudo culminou numa música muito mais rica. O Brasil é um caldeirão de cultura… a diversidade... O Brasil é uma coisa muito interessante. E por volta dos 17, 18 anos, comecei a aprender a tocar alguma coisa, foi quando montei minha primeira banda de rock progressivo, se chamava Vôo Eterno. Aí depois dessa formação vieram outras experiências interessantes. Depois eu vim pra Macaé, aqui eu conheci o professor Dácio Lobo, conheci o Leib, enfim, conheci os músicos de Macaé, talentosos pra caramba… o pessoal aqui de Macaé é muito receptivo, muito carinhoso. E fizemos trabalhos interessantes com Jazzuyrá, toquei no Alma de Borracha… toquei com nosso parceiro Chiquinho, numa banda que tocava (na) noite… Halley, numa referência ao cometa. E minha experiência maior é voltada para área do rock, do blues e focado em rock progressivo. Em 2013, o André me convidou pra fazer uma banda de rock progressivo, eu falei: rapaz, você tá maluco!! 40 anos depois (risos)... Aí nós fizemos a banda, tocamos um tempo aí e tal. Estamos agora em outro projeto, em que você (Magno) tá envolvido também. Eu morei uma época em Nova Iguaçu, toquei com o Zé Lima, do Ânima, uma experiência muito rica também. As minhas experiências musicais, apesar de eu não estar no streaming, foram enriquecedoras, aprendizado muito grande. Eu assimilei muita coisa, de blues, de jazz, enfim. E os instrumentos que eu sou apaixonado são o baixo e o violão. E agora durante a pandemia eu tô me arriscando em produção musical…


Magno: … foi legal o bate-papo, para as pessoas poderem saber sobre a gente...ah! Quem são essas pessoas que estão nesse projeto? Então, saibam que somos músicos. Estamos fazendo esse trabalho de coração, tentando resgatar um pouco da memória musical da cidade. Tem muita surpresa pela frente. Vamos encerrando por aqui... No próximo episódio já começamos a revelar muitas coisas interessantes...



Fundo musical:


Em nosso fundo musical de hoje, na ordem, temos, primeiro, o hino de Macaé em sua versão mais recente, gravada em 2013 em comemoração ao bicentenário da cidade, e este belo e moderno arranjo musical ficou a cargo do grande músico Bruno Py… logo em seguida temos o efeito do som das águas do mar com entrada da música "Macaé, gentil Princesa", um poema de Rubem de Almeida Pereira musicado por Jorge Benzê, em homenagem a cidade. Na conversa com o Francarlos temos a música Minha Rita, de Paulo Nolasco, cantada com a bela voz dele mesmo, o próprio Francarlos. A seguir temos a música "Impurezas no ar", música da banda Protesto Suburbano que inicia uma demo-tape gravada em fita K7 no ano de 1997, cujo título se chama "Você Acredita?", e foi minha primeira gravação quando eu entrei na banda pra tocar bateria. Na conversa com Ulysses, não poderia faltar a banda que marcou sua infância, os Beatles, e a música escolhida foi a Come Together. Logo em seguida temos a música Kashmir, da banda Led Zeppelin. E para finalizar, a música Montanha, de autoria do Ulysses e com arranjos musicais dele em parceria com o professor Dácio Lobo. E a música que você está ouvindo, é uma gravação caseira feita pelo autor. Deu pra perceber como as músicas se encaixaram bem no contexto das falas, não é verdade??



E é isso pessoal, espero que todos tenham gostado desta iniciativa. Divulguem e contribuam com o nosso trabalho … vamos ficando por aqui e até semana que vem com o segundo episódio de HMM. Um grande abraço!!



FIM.

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