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  • Foto do escritorHM Macahé

Episódio 60. Homenagem à EMART.

Atualizado: 2 de jan.


Logo 20 anos da Emart. Recorte da arte de divulgação da peça "O Incrível e Fabuloso Destino de Êmart - A Criação de Maria". Créditos: Emart - Secretaria de Cultura.


OUÇA O EPISÓDIO:





Neste mês de dezembro, a Escola Municipal de Artes Maria José Guedes completa seus 20 anos de existência em lei (lei 2426/2003), porém já em atividade desde o ano anterior, em 2002, nas instalações do Cine clube de Macaé. Em 2004, pelo decreto 183/04, a instituição é regulamentada e incluída no Cadastro Nacional de Cursos Técnicos do Ministério da Educação (CNCT/MEC).


Maria José B. Guedes é, sem dúvidas, a grande incentivadora da Arte-educação em Macaé, na segunda metade do séc. XX.

O nome da Escola, como muitos já sabem, foi uma homenagem a grande incentivadora das artes em Macaé, a professora Maria José Borges Guedes que fundou, em 1959, a primeira Escolinha de Artes da cidade, com aulas de pintura e música. O nome "Escolinha de Artes" fazia referência à "Escolinha de Arte do Brasil" - criada pelo professor pernambucano Augusto Rodrigues, em 1948, no Rio de Janeiro - sob a qual a Escolinha de Macaé estava vinculada. A ideia-matriz difundida na época era: "unir arte e educação num mesmo movimento (daí o termo arte-educação), garantir o respeito integral à livre expressão das crianças e nestes processos transformar os professores e a própria educação". Enfrentando grandes dificuldades financeiras ao longo de sua trajetória, a Escolinha suspende suas atividades em 1970. Com este histórico de influência (sem citar outros exemplos, é claro) Macaé inicia o novo milênio reunindo artistas e educadores da cidade que conseguiram transformar o sonho em realidade, implantando na cidade uma nova escola de artes, pública e de qualidade, desta vez com o fomento do poder público. Figuras como Aldo Mussi, ator e presidente da Fundação Macaé de Cultura à época; a educadora e gestora cultural Terezinha Vasconcellos; o músico e professor Lúcio Duval (Chin); a secretária escolar e poetisa Jane Ester, dentre outras, foram mais do que protagonistas neste processo de implantação da entidade, mas também conseguiram o êxito de manterem a entidade de pé, o que podemos constatar até o presente momento.


Em contato com a querida amiga Terezinha Vasconcellos, ela nos conta, resumidamente, como foi todo esse processo e nos lembra outros nomes importantes que fizeram parte desta construção. Ela traça uma linha do tempo, onde diz: “em 2002, por iniciativa do presidente da Fundação Macaé de Cultura, Aldo Mussi, foi criado um Núcleo de Formação nesta Fundação onde fui convidada para a coordenadoria pedagógica. Neste mesmo ano (2002), paralelo à formatação do projeto para autorização do curso profissionalizante (dentro das exigências do Mec), teve início o Curso de Teatro Profissionalizante no Cine Clube. Em 2023, foi criado o Coral da Cidade de Macaé, coordenado e dirigido pelo Maestro Wilson dos Santos Souza. O Coral representou (e ainda representa) o município em diversos encontros de corais a nível estadual e nacional. Em 2004 foi criado o Curso de Música com o músico Lúcio Duval (Chin) em convênio com o Conservatório Brasileiro de Música, garantindo a conclusão profissional dos músicos, até a devida autorização dos órgãos de ensino. Desde 2007, o curso de música já está incorporado à escola, através de projeto elaborado por Fred Cnop, que coordenou o curso de música. Em 2005 o curso de desenho livre do prof. Ilzimar Bandeira Rodrigues também foi incluído na Escola. O Núcleo de Formação deu origem à escola e que ao ser criada por lei municipal recebeu o nome de Escola Municipal de Artes Maria José Guedes (EMART), homenageando a artista plástica e pianista Maria José Borges Guedes, que fundou na década de 60 a Escolinha de Artes de Macaé, vinculada à Escolinha de Artes do Brasil. Os cursos de teatro e música tiveram como docentes profissionais que se destacavam em suas áreas. Para o funcionamento eficiente da escola não podemos esquecer de Cássia Gomes, professora e Assistente da Administração da Escola desde sua fundação, e também da secretaria Jane Ester, responsável por toda a documentação e registros de alunos e professores.”


Recentemente aposentada, a educadora e secretária escolar Jane Ester recebeu justa homenagem por todos os serviços prestados à Emart com tanto amor e dedicação. Um pilar da Escola, pela sua permanência na instituição e profissionalismo, Jane também é poetisa e assina como uma de suas autorias a recente letra do novo hino da Emart, comemorativo dos 20 anos.

Tetê, como carinhosamente chamamos a Terezinha, afirma que não podemos esquecer que muito antes da EMART, Macaé já carregava uma tradição teatral de grande relevância, com nomes como o dramaturgo Ricardo Meirelles, que teve trabalhos premiados fora do Brasil já nos anos 1970, em plena ditadura militar. E, claro, não podemos esquecer de uma personalidade profundamente envolvida com a cultura macaense desde os anos 1930, e que foi o grande articulista da Escolinha de Arte junto à profa. Maria José B. Guedes: o mecenas e médico Dr. Moacyr Santos. Só para citar um exemplo: em 1935, ele protagonizou, no antigo “Gymnasio Municipal Macahense” e junto à figuras da intelectualidade macaense, como Durval Coutinho Lobo (engenheiro e prefeito de Macaé somente naquele ano), Jayme Miranda (professor e diretor do Gymnasio) e Télio Barreto (advogado e professor), uma conferência promovida pela “Sociedade de Cultura de Professores e Alunos Euclydes da Cunha” em homenagem ao patrono desta Sociedade.


Nascido em Glicério em 1904, o médico Moacyr Santos foi um mecenas e merece destaque por suas imensas contribuições para a cultura macaense tendo, inclusive, incentivado e ajudado o pintor Hindemburgo Olive. Além disso, foi professor de biologia e línguas estrangeiras; orquidófilo apaixonado por botânica, história, filosofia e música. Fonte: site da Prefeitura Municipal de Macaé.

Depois desta breve explanação, não posso deixar de falar sobre a honra que tive em fazer parte da família EMART por tantos anos da minha vida. Meu primeiro contato foi com o antigo Conservatório Macaé de Música, em 2004, quando um amigo me avisou que a prefeitura estava oferecendo aulas de música. As inscrições já tinham sido encerradas e não desisti de procurar uma vaga por causa disso. Minha insistência e persistência foram logo observadas pela funcionária Niria Carvalhaes (in memoriam) que, em poucos dias, me fez uma ligação confirmando um encaixe para minha tão esperada aula de bateria, na época com o professor Marcelo Pereira. Lembro que ainda não era uma vaga garantida, pois o aluno que já estava matriculado tinha faltado umas duas aulas consecutivas e, caso faltasse a próxima, a vaga era minha. E foi o que aconteceu! Neste mesmo ano (2004), houve um concurso público para a Fundação de Cultura, onde me inscrevi, fiz a prova e fui aprovado dentro do número de vagas previsto pelo edital. Fim das contas? Lá estava eu, trabalhando e estudando no mesmo lugar, tendo concluído várias modalidades de cursos ao longo dos anos.


De 2006 até os primeiros meses de 2023 foi assim, convivendo com muitos colegas, antigos e novos, dos quadros técnico-administrativo e docente. Presenciei diversas mudanças de gestão neste órgão governamental tão sofrido que é a Cultura, pois muitos sabem como a pasta da cultura é a predileta das articulações políticas na cidade, sendo alvo de interesses e manobras políticas que, muitas das vezes, interferem diretamente na qualidade da gestão. Hoje, estou transferido e me encontro trabalhando em outra cidade ainda como servidor público e continuo a dedicar um pouco do meu tempo livre ao projeto Histórias da Música em Macahé. Mesmo em outro lugar, ainda continuo aprendendo sobre a história da minha cidade, da minha terra querida, que tantas riquezas têm para serem reveladas e preservadas. Quem sabe um dia não retorno a este lugar que tanto me ensinou e me acolheu durante 18 anos ininterruptos. Parabéns e longa vida à EMART!!


Niria Carvalhaes (in memoriam), à esquerda na foto, eu e Jane Ester, quando a Emart se encontrava na Rua Dr. Télio Barreto. Ano: 2015.

E para comemorar os seus 20 anos de existência (em lei), a EMART preparou no mês passado (novembro) uma grande apresentação, onde três turmas de formandos do Curso Técnico em Teatro encenaram o espetáculo “O Incrível e Fabuloso Destino de Êmart - A Criação de Maria”, sob a direção de Cláudia Byspo e Ademir Martins. A peça é um teatro musicado e foi inspirada em 9 outros espetáculos encenados em anos anteriores na EMART. E tudo isso especialmente para a ocasião dos 20 anos da escola e em homenagem a sua patrona, Maria José B. Guedes. Maiores detalhes, veja nas referências de consulta no final da página deste episódio. Compartilhamos, também, o novo hino em homenagem à  escola, com letra escrita pela poetisa Jane Ester e musicado por Bruno Py, sendo executado pela Orquestra Popular de Macaé neste ano de 2023, com as vozes de Jéssica Leão e Jones César.



EMART


A arte fez morada

Num lugar lindo da vida

Emart a lapidar talentos

Da nossa Macaé querida.


Sopro, cordas, teclas

Canto, acordes e tons

Todo o encanto se vive

Entoando tantos anos.


Ator, arena, teatro

Vivendo várias vidas

Ritual lindo e profundo

Muitas emoções vividas.


Maria José Guedes

Em Macaé a primeira

Valorizando a Arte

Ela foi a pioneira.


Benedicto Lacerda, Lucas Vieira

Hindemburgo Olive, Tonito

E as lentes dos Campos, Bispo e Dunga

Fazem tudo ficar mais bonito.


Emart Viva

Viva a Emart

Incentivando a cultura

E a beleza de toda arte.



Referência(s):



Fundo musical:

  • Hino da Emart. Letra de Jane Ester e música de Bruno Py. Executado pela OPM no auditório da Escola. 2023;

  • Hino de Macaé, com nova versão cantada pelo Coral da Cidade de Macaé. 2013.



ERRATA:


  • Segundo fala de Terezinha Vasconcellos, o projeto do plano de curso de música da Emart foi elaborado pelo professor Fred Cnop, que já foi diretor da escola. Essa informação não procede. Essa autoria é creditada ao diretor que o antecedeu, o professor Bruno Py, que elaborou os planos de curso, tanto do básico quanto do técnico de música, além de ter sido ele também o responsável pelo projeto político pedagógico (PPP) da instituição, até então não concluído.

  • O hino da Emart foi musicado pelo professor Gustavo Duque e não Bruno Py, cabendo a este último a autoria dos arranjos musicais.

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