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  • HM Macahé

Episódio 43. Liane Padilha - A voz é a melhor visão.


Liane no Calçadão do centro de Macaé-RJ. 08/10/2022

Foto: Magno


OUÇA O EPISÓDIO:



Magno: A senhora poderia se apresentar pra gente, o nome da senhora e de onde você é?


Liane Padilha: Liane Padilha, eu moro em Curitiba, em São José dos Pinhais (mais especificamente). Eu trabalho e viajo cantando, tocando sanfona e violão.


Magno: Você é natural de Curitiba, mesmo?


Liane: Não. Sou natural de Iraí, Rio Grande do Sul.


Magno: A senhora começou na música quando?


Liane: Eu acho que nasci cantando, viu amigo? O artista nem chorar, não chora, quando nasce. Já nasce cantando.


Magno: A sua família tem alguém músico, mais alguém?


Liane: Não.


Magno: Você despertou isso sozinha, né? E como despertou o seu interesse em trabalhar com o povo na rua, ser uma artista de rua? Porque artista de rua é quase uma categoria à parte. Ser músico de palco, de estúdio, são coisas diferentes… A experiência da rua, de estar em várias cidades, é bem diferente. A senhora poderia falar um pouquinho sobre isso?


Liane: Eu acho que isso é o destino, né amigo. Porque, por exemplo, eu relutei pra não ir cantar na rua, mas eu queria ser artista e não consegui. Humildemente eu falo que eu não consegui. E aí eu resolvi cantar na rua, peguei fé e coragem e vou, né!



Liane Teresinha Schmidt, é natural de Iraí-RS, cresceu em Santa Catarina e depois se mudou para o Paraná, onde reside na cidade de São José dos Pinhais. Adotou o nome artístico de Liane Padilha em homenagem ao pai biológico que não conheceu, não tendo feito o registro em cartório a tempo, provavelmente por ter falecido antes dela nascer. Acabou sendo registrada pelo pai de criação com o sobrenome Schmidt. Encontrou na música sua forma de sobrevivência e há 11 anos decidiu desbravar o seu país, escolhendo a difícil missão de ser artista de rua. A cegueira a que foi acometida não foi motivo de abaixar a cabeça. Quanto a isso, ela explica:


Liane Padilha: Quando alguém fala: "ah, tu tem acompanhante? Eu falo: " eu não estou doente, pra ter acompanhante!!" Diz uma pessoa assim: "tu enxerga?" Eu digo: "depende da maneira que você entende o que é enxergar. Porque tem gente que tem "dois olho" e não vê nada. Não adianta enxergar e não ver". Outros dizem assim: "você viaja sozinha?" E brinco assim: "não. Tem o motorista, têm os passageiros … (risos). Ou então: "você viaja com Deus?" Eu falo: Deus não viaja, ele está em todo lugar".


Magno: Ele não está acima de ninguém, está ao lado, não é? Mas há quanto tempo você trabalha como artista de rua?


Liane: Como artista de rua fazem 11 anos já.


Magno: O que a senhora extraiu de importante nesse tipo de trabalho, na rua?


Liane: Eu gosto de "ver" as crianças, nossa! Eu adoro a criançada! O povo que coopera, tem um carinho também. E todo mundo me guia, só pedir que todo mundo me guia.


Magno: E a viola? [ela tem um violão]. Eu queria ver uma viola, pra tocar música sertaneja de raíz…


Liane: Toco um pouco de gaita [forma como se fala do acordeon no sul do país] e um pouco de violão.


Magno: Vou deixar a senhora trabalhando um pouquinho. Vamos tocar, então?


Música "Heroína do Passado"


Heroína do Passado, álbum lançado por volta de 2010.

(Imagem: print de vídeo do Youtube "Walder Mulbak". Postagem de 02 de abril de 2011)


Em São José dos Pinhais, Liane já atuava tocando na Rua XV de Novembro, vendendo seu CD autoral intitulado "Heroína do Passado" [cujo trecho da música de mesmo nome é o que estamos ouvindo agora no podcast]. Em 2018, iniciou a produção de seu DVD com canções autorais e realizou as gravações de áudio no Estúdio Tom Maior e a produção dos vídeos com a RCM TV.


Durante a pandemia, enfrentou dificuldades financeiras e conseguiu realizar algumas lives com a ajuda do seu filho Otávio. Na abertura, Liane apresentava suas lives como um daqueles programas de televisão, batizando cada live de Programa "A Voz é a Melhor Visão''. Ela também lembra dos bons momentos de quando morava na roça e ouvia as cantorias. Era a época em que vivia "no mato" - ela se referia - ouvindo as cantorias das modas de viola. No repertório de Liane encontram-se várias músicas autorais, modões e valsas rancheiras. Outras músicas que compõem seu repertório são de duplas sertanejas famosas, como Abel e Caim, Lourenço e Lourival, Tonico e Tinoco, dentre outros.

Liane em filmagem para o seu DVD. Novembro de 2018.

Imagem: Facebook "Liane Padilha"


Liane tem viajado pelas regiões sul e sudeste do Brasil. No Estado do Rio passou pelas cidades de Resende, Barra Mansa, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e alguns dias atrás esteve em Macaé, se apresentando no Calçadão do centro da cidade. Agora, ela já se encontra no Estado do Espírito Santo, já passou pela capital Vitória, e agora está na famosa Guarapari. Muito dedicada à vida espiritual, Liane nos fala sobre as visões que recebe e que trazem motivações para suas viagens …


Liane Padilha: Eu tenho uma luz que me manda viajar e me dá uma intuição onde eu devo ir. Aparece, às vezes, dois meses antes de eu seguir aquela intuição. Eu tive uma intuição que eu vinha pro Espírito Santo. Eu vim pra Vitória e não deu, não consegui trabalhar lá. E agora eu vim pra cá [Guarapari]. Umas coisas interessantes, porque vem mais por intuição. Funciona assim: quando eu estou num lugar (em casa, por exemplo), se não é pra eu viajar, tem tipo uma bola de luz, um globo. Ela fica parada e está escrito "Paradão". Se eu tentar sair nesse "Paradão" pra outra cidade, eu não consigo, sempre dá algo errado. E quando é pra eu ir, não está escrito nada, e só está a intuição de que é pra eu ir a tal cidade, e a bola de luz fica andando bem devagarinho. Então essa é a maneira da espiritualidade me encaminhar com as viagens, sabe? Eu não sei bem porquê, mas eles sabem, né! E daí eu levo a música.


A prova de nosso encontro, sábado retrasado (8/10/2022).

Quem quiser contribuir com o seu trabalho, envie pix para o número 4196367040 (Liane Teresinha Schmidt)


Pois bem, amigos do Histórias da Música em Macahé. São artistas como Liane Padilha, e milhares de outros pelo Brasil afora, que mostram a força da cultura brasileira. Ao passar por ela no Calçadão, olhei para trás e me perguntei por quê agi como se nada estivesse acontecendo. Parei e dei meia volta, fui até ela e paramos para conversar. Enquanto a indústria cultural prende as nossas atenções com artistas fabricados para a fama, outros artistas de grande potencial resistem e semeiam a arte em meio ao povo e levando uma vida modesta. Parabéns Liane Padilha! Seja muito feliz e que todos os seus propósitos se concretizem.


Ficamos por aqui e até o próximo episódio. Um grande abraço!!


Fim.


Referência(s):

  • Entrevista na Tom Estúdio Produções, Curitiba. Disponível em: https://youtu.be/_SkK2req_sc;

  • Lives realizadas em julho de 2020. Disponível em: Facebook "Liane Padilha". Disponível em: https://www.facebook.com/profile.php?id=100020278681095

Fundo Musical:

  • Sorriso da flor, de Liane Padilha. Gravado ao vivo durante entrevista no Calçadão do centro de Macaé.

  • Heroína do Passado, de Liane Padilha. Do disco homônimo. 2010. https://youtu.be/sWBPt_YiE6M








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