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  • magnoeliasbatera

Episódio 24: Guto Rodrigues - elevando o nível da produção musical.



OUÇA O EPISÓDIO:




"As vezes me pergunto: de onde vem esse som? O que realmente move nossos passos? De onde vem a voz que insiste em soprar no meu ouvido? Então eu paro e me deixo levar."



Guto: meu nome é Gutemberg Rodrigues Pires. Eu comecei minha trajetória na música porque minha mãe era diretora do Mathias Neto, e na biblioteca tinha um piano lá. E eu muito novinho comecei a tirar música no piano, de ouvido. Foi daí que começou tudo. Ela me colocou na aula, porque achou fantástico aquilo, né. Daí não parei mais. Nos meus estudos eu participei de um concurso lá no Rio, em Copacabana, a escola se chamava MusiArte, que fez um concurso onde fiquei entre os 10 classificados. Saiu uma matéria no Jornal da Cidade, no Debate: "guitarrista fica entre os 10 melhores guitarristas do Brasil". Isso marcou muito minha trajetória aqui na cidade, porque eu passei a ser um referencial de guitarra por conta da divulgação local. Teve uma banda que eu participei chamada Umbigo de Lara, depois a banda Mac Coisa, Dominium. Toquei em muitas bandas, vivendo de música... eu tocava desde banda de Heavy Metal até no trio elétrico tocando samba, axé, fazendo grupo de estudo de música, Jazz Fusion. Então fui muito eclético em minha trajetória. Montei várias bandas que você conhece: a Dominium, que ficou marcada na cidade, que me levou para outros grupos lá de São Paulo através de nossas composições. A gente compunha para a Dominium, essas músicas ficaram conhecidas por outros produtores de São Paulo, Rio de Janeiro. E as músicas acabaram sendo regravadas por grupos que estavam em evidência. E isso acabou me levando pra São Paulo também como músico produtor. Na verdade essa minha ida à São Paulo rem muito a ver com a coisa de compor músicas românticas.


"Cada momento é um ponto de partida. Eu não decido pra onde eu vou, eu deixo a música fazer isso por mim."


Dentre várias bandas e projetos que Guto fez parte, destaca-se a banda 'Dominium', grupo que, além de ter feito muito sucesso em Macaé, levou Guto a desbravar outros caminhos fora da cidade, através de suas composições.

(Imagem: Facebook 'Banda Dominium')


Aí eu entrei no grupo, tive músicas tocando no Brasil inteiro, que eram regravações que eu fiz pra Dominium. E aí esse grupo de samba - chamado Inimigos da HP - regravou essas músicas, e outros grupos também: Travessos, duplas sertanejas... sempre numa linha bem comercial, apesar de eu nunca ter sido um músico dessa linha muito comercial. Mas esse aspecto da composição, para a Dominium - que a gente fazia música pra rádio - acabou me levando pra esse caminho "popularzão". E me levou pra outro setor dentro da produção musical, que é o setor onde grandes projetos acontecem. E ali eu, realmente, mudei minha vida, porque eles me convidaram a participar também como músico, gravaram mais de 15 músicas minhas (outros grupos também gravaram). Eu comecei a produzir, virei produtor do grupo, diretor musical, fiquei com eles durante uns 8 anos até que resolvi voltar pra cá, atuando como produtor musical na cidade de Macaé e na região, que é uma atividade incomum aqui.


Guto compôs boa parte do repertório da Inimigos da HP durante os anos que tocou com o grupo. Atuou também fazendo arranjos, como diretor e produtor musical.

(Imagem: Inimigos da HP num show em Curitiba, com gravação de DVD e participação da Orquestra Sinfônica do Estado do Paraná, onde aparece Guto tocando uma de suas músicas).

Ano: 2008



Magno: com toda a experiência adquirida fora de Macaé, tocando e produzindo grandes bandas e artistas, Guto volta à sua terra natal decidido a fazer um trabalho de excelência com os artistas de Macaé e região, principalmente os músicos. Com esse trabalho, a imagem de nossa cultura se redesenha ...


Guto: aqui é um mercado a ser desbravado e é o que estou fazendo: desbravando esse mercado. E é um lugar muito bacana, porque tem muita pedra bruta, muita gente, muito talento mesmo, na composição, no canto, na execução, na arte mesmo como um todo. E você tem um monte de pedra bruta pra trabalhar... artistas carecendo desse tipo de trabalho meu. É o que percebo: gente de muito talento, mas faltando mentoria nesse aspecto da produção musical. É onde eu estou atuando, no momento, nesse setor. A maior parte do que estou produzindo é da Região dos Lagos e tenho produzido coisas fora também. Eventualmente vem trabalhos de fora: de São Paulo, do Rio de Janeiro. Porque a produção, hoje em dia, tem essa característica: não precisa, necessariamente, estar todo mundo presente no mesmo lugar. E agora eu estou inventando esse novo foco, que é trabalhar o Instagram como um fomentador de informação, um expositor de informação. E eu estou trabalhando por editorias. Então eu quero falar de Harmonia, de produção musical, da parte técnica de gravação e tudo mais, porque é uma editoria que eu não consolidei muito forte ainda porque não estou com tempo. Mas é uma atividade que tenho mais feito, que é produzir, mixar, masterizar, gravar, arranjar e outras coisas em torno disso. Essa é a minha ideia dentro do Instagram, sempre compartilhando a informação.


No seu trabalho como produtor musical em Macaé, Guto já produziu vários artistas de grande talento da cidade e região, como: Marcelo Marrom, Fábio Guma, Clara Bê, Kiko Chagas, Minero e banda Km Rodado.

(Imagem: Clara Bê e banda. Foto: Manoel Germano)



Magno: então, fale um pouco como é esse processo de produção musical?


Guto: produção tem a ver com essa parte de engenharia de áudio, que é: programa de gravação, a performance do artista, a concepção estética de um trabalho artístico... tem a ver com uma série de coisas que são pautas e que eu pretendo levar a frente no meu Instagram, que é a plataforma que escolhi no momento pra poder instruir, ajudar as pessoas a conquistarem melhores resultados na arte que se propõe a fazer, seja tocando, seja compondo, seja gravando, arranjando, ou pensando na proposta estética do trabalho. Eu quero citar todos esses movimentos que tem a ver com a produção musical no final, pra distribuir esse conteúdo. E o meu retorno é o que? A audiência. Futuramente eu posso pensar em ter um info-produto, do tipo curso on-line.



Magno: qual o papel das redes sociais pro músico, hoje?


Guto: hoje em dia a internet, as redes sociais, trouxeram uma coisa muito legal que é o seguinte: quanto mais você divulga a informação, mais você divulga você mesmo e mais você consegue adeptos, pessoas que seguem o que você tem pra falar. E isso é muito legal. A internet trouxe isso: de você, com um ato de generosidade de compartilhar conteúdo e conhecimento, você recebe o retorno imediato, que é justamente a atenção das pessoas, o que muita gente procura o tempo inteiro, né. E hoje a gente consegue, simplemente, compartilhando informação, entendeu? E esse é o propósito: buscar a atenção do público através dessa troca. E fora isso é porque eu me amarro nessa coisa de produtor de conteúdo, acho que esse é o caminho do futuro. Todo mundo tem que entrar um pouco nessa "onda". O músico, o artista, tem que está um pouco presente nessas redes. Tudo funciona assim hoje. Se eu produzo um artista, ele tem que está presente na internet divulgando o próprio trabalho. Eu mesmo como produtor, tenho que ter essa presença marcante na internet pra gerar essa autoridade e pra entender o mecanismo de como essa nova forma de se relacionar com a música está acontecendo.


Magno: o que motivou essa idéia de oferecer ao público mini-cursos pelas redes sociais?


Guto: são mini-cursos que estou separando por editorias. O que eu quero falar? Falar sobre essa parte de Harmonia, que eu acho essencial. As vezes a gente fica muito focado na questão da produção, não só na parte do áudio, captação de áudio em si, Mas essa parte de Harmonia, de conhecimento musical é muito importante pro cara poder criar coisas boas. Não adianta nada saber gravar e criar umas paradas que não tem nada a ver musicalmente. E aí eu quero falar da produção musical em si, como é o trabalho de produção musical mesmo, né. Existe toda uma organização, referência... Você pega uma música, as vezes precisa fazer um ajuste na composição. Daí começa a pré-produção, que é essa parte de arranjo - eu trabalho assim, muitos produtores trabalham assim. Eu faço uma pré em áudio - hoje em dia muita coisa dessa 'pré' já vale como produto final, mas umas coisas você tem que refazer. Então são processos que eu gostaria de falar. E a parte criativa: como que você organiza e relaciona seu conteúdo de Harmonia com essa parte de produção, entendeu? Eu acho muito importante pra galera que quer se produzir ter esse conhecimento. E as coisas técnicas também, que você pode fazer pra melhorar o que você está criando, geralmente relacionadas a parte de edição. Edição é todo o áudio que você tem que consertar, seja uma voz pra afinar ou uma "levada" que precisa colocar no tempo... tudo isso é edição. Esclarecer esses tópicos vai ajudar a turma e acho que faz mais sentido as redes sociais com esse propósito.


Alguns dos mini-cursos oferecidos por Guto visam auxiliar o músico a ter um melhor desempenho em suas produções artísticas.


E falar de guitarra também, que é meu principal instrumento em que dediquei grande parte da minha vida profissional. Eu tenho uma trajetória como professor de música e acho que tem tudo a ver com esse trabalho que estou fazendo na internet hoje. Em toda essa trajetória, eu sempre fui professor. Eu mudei em outras atividades dentro da arte, da música, mas professor eu sempre mantive. Foi uma atividade que, praticamente, no decorrer da minha história toda, eu me mantive fazendo. Interessante isso! E continuo até hoje. (Risos)



Fundo Musical:

  • Teaser do Tema Instrumental CLARIDAD, de Guto Rodrigues. 2012;

  • Áudio de show da Banda Dominium, realizado no dia 11 de maio de 2002, no bairro Cajueiros, Macaé, em razão das comemorações do dia das mães;

  • Traz de volta, composição de Guto originalmente gravada pela Banda Dominium e regravada pelos Inimigos da HP em 2008;

  • Mais que tudo, de Guto Rodrigues;


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